Comunicação Interna é uma página em branco

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS: neste lindo e profundo filme, o jovem judeu presenteou a menina com um livro em branco e disse: “É para você escrever, porque todas as palavras são Vida”.

Pois é assim que considero a nova caminhada da Comunicação Interna nas organizações: uma página em branco a se reescrever, reinventar, reorganizar, reconstruir e poderia citar mais alguns milhares de verbos similares. Não é mais possível que as empresas continuem se comunicando da mesma forma como faziam na Revolução Industrial, quando pensavam as organizações apenas como processos e padrões racionais.

O que mais temos ouvido nas empresas é a frase:

“Isto não me representa (Missão e Valores)”! Ôpa! Algo errado, não?

Uma pesquisa que realizei por quinze anos, em mais de 300 organizações, onde pedia que as pessoas desenhassem sua percepção acerca do processo de comunicação na empresa, na família e entre amigos, aponta uma larguíssima desvantagem da comunicação empresarial.

Os percentuais de insatisfeitos atingem 80% e logicamente isto se dá porque ainda se pensa Comunicação Interna como ferramenta, suporte e não como estratégia de sustentação dos objetivos corporativos.

Mas será apenas esta a justificativa? Acreditamos fortemente que não!

Diante deste cenário de descontentamento, temos um grande desafio pela frente que exigirá uma mudança de comportamento em todos os níveis. Não bastará trabalhar bem o processo ou a competência da Comunicação nos diversos Stakeholders internos. É preciso ir além, ou melhor, revisitar a espinha dorsal de toda esta engrenagem. Para que a Cultura Organizacional se sustente é necessário que a Comunicação tenha o papel de abrir o diálogo para o entendimento e cruzamento do “Propósito” entre as partes envolvidas. O discurso de que principalmente os líderes devem agir em conformidade com o que o diz no quadro dos Norteadores Estratégicos, também não é mais suficiente, apesar de um fato ser indiscutível: se já está claro que o mais eficiente canal da Comunicação Interna está no humano, as lideranças deveriam ser as mais capazes de provocar nos colaboradores a apropriação de uma causa, o engajamento e a mobilizaçãoMas isto ocorre na prática?Não!

Para isto acontecer é preciso que, antes, estes mesmos líderes entendam e alinhem seus propósitos com os propósitos das organizações. E nesta tarefa grandiosa a Comunicação passa a ser a base do sucesso.

A verdadeira Comunicação Interna acontecerá quando os recursos humanos forem estimulados a carregar o dom de serem capazes, colaborativos, conhecendo e Reconhecendo, em si e no outro, suas limitações como algo comum, e seus propósitos coletivos como algo acima de qualquer diferença.

Precisa estar no DNA da corporação que Comunicação não é processo, é sim estratégia e inteligência. Comunicação é Vida, é a página em branco a ser reescrita todos os dias com a missão de auxiliar as empresas e as pessoas a consolidarem seus propósitos, fazendo com que as diferenças virem complementaridades e, desta forma, as partes realizem para si e para o todo!

Se estamos vivendo uma grande revolução existencial e se não é mais razoável ser ou ter, pois a busca está pelo sentir, nasce a importância de falarmos abertamente nas organizações sobre o “propósito” de sua Missão, clarificar este tema com verdade, significância e atitudes.

Fato este que também impactará nas tradicionais formas de contratação de pessoas, de revisão do que realmente significam “benefícios” e valores para os colaboradores, e assim por diante.

Tenho visto em algumas empresas, grupos de “inquietos” que se reúnem para debater sobre propósito e valores que não mais fazem sentido para eles e para a sustentabilidade do negócio. O incômodo diante de “propósitos” pouco claros ou até desconexos com um “novo ser” é tamanho, que estes “seres inquietos” – que agregam muito valor e importantes resultados em inovação, tecnologia, criatividade e humanização para as empresas – não se importam nenhum pouco em romper burocracias e hierarquias para defender seus desejos de traduzir maior significado as suas rotinas profissionaisQuerem mais, enxergar mais, ir além do racional. E considerando este processo de retroalimentação humana, do outro lado, nos clientes e nos clientes dos clientes, também afloram cada vez mais perfis inquietos como estes.

É, realmente está na hora das organizações entenderem que a Comunicação Interna é um organismo vivo, pensante e intuitivo, e que só por meio dela as grandes estratégias corporativas podem sair das mentes de seus principais executivos e serem assimiladas com maior propósito por todos aqueles que efetivamente “tocam” a organização.

 

 Diretora da Adequá Comunicação Estratégica, jornalista e criadora da Metodologia Gestor Comunicador.

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